Escrito por Enilda Falcão Lins    Sex, 28 de Fevereiro de 2014 00:00
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Descendo do pedestal
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II Reis 5. 1-19.

"Eliseu mandou que um empregado saísse e dissesse a ele que fosse se lavar sete vezes no rio Jordão, pois assim ficaria completamente curado da sua doença. Mas Naamã ficou muito zangado e disse: Eu pensava que pelo menos o profeta ia sair e falar comigo e que oraria ao Senhor, seu Deus, e que passaria a mão sobre o lugar doente e me curaria! Além disso, por acaso, os rios Abana e Farpar, em Damasco, não são melhores do que qualquer rio da terra de Israel? Será que eu não poderia me lavar neles e ficar curado? E foi embora muito bravo.” II Reis 5. 10-12.

O orgulho é algo pertinente ao ser humano, desde a queda de Adão e Eva no paraíso. A egolatria também está dentro do conceito de egoísmo haja vista que significa adoração do próprio eu.  O homem contaminado pelo pecado pode vir a sofrer desses males terríveis. Ele se acha o melhor de todos, se considera o mais poderoso, o mais bonito, o mais competente, o mais rico, o mais inteligente, mais esperto, a sua cidade ou País é o melhor do mundo, e sendo assim, tudo gira em torno dele, que passa a ser o centro de tudo e de todos. Nós temos visto muito ultimamente esse tipo de pessoas, dentre os nossos governantes, dos homens públicos, líderes de organizações importantes e, até de líderes das igrejas evangélicas, que muitas vezes se acham o máximo e parecem que têm “o rei na barriga”.

 

 

A personagem da nossa meditação de hoje, Naamã, era um homem poderoso, famoso, rico, bem sucedido. Ele era o chefe do exército de Ben-Hadade II, rei da Síria, no tempo de Jorão, rei de Israel. Um homem que tinha sua capacidade e feitos, reconhecidos pelo próprio rei. Também amado por seus soldados, gozava de muito conceito e respeito por todos do seu país. A sua esposa o amava e se preocupava muito com ele. Naamã era, portanto, um homem que aparentemente era muito feliz. Ocorre que Naamã não era totalmente feliz, pois, era leproso e, naquela época a lepra não tinha cura, privava o doente do convívio social e levava-o a uma morte diária, lenta, sofrida e solitária. Naamã só não ficava isolado porque as leis do seu País não exigiam esse isolamento, como era o caso das leis do povo de Israel. Assim ocorre com muitas pessoas que apesar de terem alcançado o sucesso profissional, terem constituído uma família equilibrada, apesar de gozarem do respeito de todos que com ele convivem e, de serem pessoas abençoadas por Deus, existe sempre algo que os impede de se sentirem felizes plenamente, e que os levam a experimentar uma morte lenta, sofrida e, solitária dos seus sonhos e ideais.

Havia na casa de Naamã uma menina que foi levada cativa, das terras de Israel e, que trabalhava como escrava de sua esposa. Certo dia, aquela menina conversando com sua senhora, disse que havia em Israel um profeta, que vivia em Samaria e, que poderia curar o seu esposo da lepra. Diz o texto que: “Então Naamã foi notificar a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel”. II Reis 5. 4-5. Até aí tudo bem. Aquele homem poderoso se empolgou! Surgiu uma luz no fim do túnel... Brotou um raio de esperança naquele coração tão sofrido... Quero fazer um destaque para a atitude daquela menina. Ela abrigava em seu coração o amor de Deus e, por causa disso, ela foi capaz de amar o seu senhor, quando poderia odiá-lo, haja vista que aquele homem, comandante do Exército da Síria a levara cativa, fazendo-a escrava a serviço da sua esposa. Ela poderia ter em seu coração o ódio, o desejo de vingança. Poderia ter dito que aquela doença era castigo por destruir o povo de Deus. Mas, não! Ela o amou a ponto de dizer: “E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.” 2 Reis 5:3 . Aquela garota sentiu profundamente no seu coração, compaixão pelo seu senhor, e, se empenhou em ajudá-lo, pois, seu desejo era ver aquele homem plenamente feliz.

Naamã procurou o rei, contou o que aquela menina havia dito e, vejamos no texto, qual foi a atitude daquele rei: "Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas. E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra." 2 Reis 5:5-6 . Quando o rei de Israel recebeu a carta, ficou apavorado, tão transtornado com aquele pedido, que rasgou as suas vestes, como uma atitude de quem estava profundamente aflito. Como que ele iria curar aquele homem da lepra? Com que poder? A prática de rasgar as roupas, nas culturas orientais, mostrava emoções fortes, geralmente angústia, tristeza ou remorso. Eu quero salientar que a parte mais significativa do rasgar as vestes naquela época, era representar um ato de arrependimento. Josias, por exemplo, quando percebeu que o povo não estava obedecendo ao Senhor, rasgou suas vestes como sinal de angústia e de remorso. Esse ato de Josias foi aceito por Deus como sendo um sinal de seu arrependimento e, desta forma, O Senhor ouviu sua oração (2 Reis 22:11,18-20 ). Assim foi com Esdras que demonstrou seus sentimentos de vergonha e remorso ao tomar conhecimento do pecado do povo em fazer casamentos com os povos pagãos. Ele se prostrou diante de Deus com as vestes rasgadas (Esdras 9 ). Podemos tirar nesses dois casos uma lição muito importante: Deus não olha para as vestes rasgadas, embora aqueles gestos tenham demonstrado os sentimentos das pessoas angustiadas e arrependidas. Desde aquela época, Deus disse o que queria dos pecadores: “Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus...” (Joel 2:12-13 ). Nos dias atuais não temos o costume de rasgar as nossas roupas, entretanto, devemos chegar a Deus com corações quebrantados e arrependidos!

A aflição do rei de Israel era por não ter poder para curar o comandante do exército do rei da Síria e, como negar aquele pedido? O rei andava muito esquecido de quem possuía tal poder... Ora, Eliseu tomou conhecimento de que o rei havia rasgado as suas vestes e, mandou um recado para o rei, dizendo: "Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel." 2 Reis 5:8 . Lá foi Naamã com seus cavalos e seu carro, provavelmente com toda imponência, natural a um militar de destaque e, que honra a farda que veste. Parou na porta da casa de Eliseu esperando ser recebido pelo profeta, mas, não foi o que aconteceu. O profeta mandou apenas um recado através de um mensageiro: "Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado." 2 Reis 5:10 . Ah! Naamã ficou muito ofendido! O texto em destaque diz que: "Mas Naamã ficou muito zangado e disse: Eu pensava que pelo menos o profeta ia sair e falar comigo e que oraria ao Senhor, seu Deus, e que passaria a mão sobre o lugar doente e me curaria! Além disso, por acaso, os rios Abana e Farpar, em Damasco, não são melhores do que qualquer rio da terra de Israel? Será que eu não poderia me lavar neles e ficar curado? E foi embora muito bravo.” II Reis 5. 10-12.

Agora podemos observar o orgulho, a soberba daquele comandante. Para ele, o rio Abana e Farpar, em Damasco, era muito melhor do que qualquer rio da terra de Israel. Ele não iria se humilhar, e mergulhar nas águas do rio Jordão, que era um rio muito insignificante para ele. Não, ele não iria passar por aquela humilhação! Os servos de Naamã foram muito sábios e, em lugar de procurarem bajular o comandante, eles o aconselharam dizendo: "Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado." 2 Reis 5:13 . Era apenas uma coisa simples a fazer: Obedecer ao que o profeta mandou. Estava na hora de Naamã descer do pedestal. Era necessário retirar do seu coração o orgulho, a arrogância e, com um gesto de obediência, humildade e fé, mergulhar sete vezes no rio Jordão. O comandante então, para sua felicidade, resolveu ouvir seus servos, e diz o texto: "Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus..." 2 Reis 5:14 .

Eu creio que aquele homem cada vez que emergia das águas, examinava a sua pele e nada... Mas, teria que ser sete vezes. Foi assim que disse o profeta e, quando chegou ao último mergulho, Naamã saiu das águas e olhou para sua pele, ficou feliz demais! Estava curado!Que maravilha! Porque desceu do pedestal, recebeu a bênção! Quantas vezes deixamos de ser abençoados porque estamos nos achando importantes demais, e a bênção que deveria vir para nós, vai para outra pessoa que humildemente reconheceu a sua situação de pecador e, que rasgou seu coração diante de Deus. Vejamos o que diz o texto em meditação: "... e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado;" 2 Reis 5:14 . Aquele comandante aprendeu uma grande lição e, chegou à seguinte conclusão: "Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel;" 2 Reis 5:15 .

Reflexão: Muitas pessoas acham que o “poder”, o “sucesso” e o “dinheiro” são as coisas mais importantes no mundo. Assim vivem com seu ego entronizado, pensando que podem tudo, por causa de suas riquezas, e porque acham que o dinheiro compra tudo. Elas querem estar sempre em evidência e ocupando uma posição permanente de mando, custe o que custar. Não valorizam as coisas simples e humildes. Essas pessoas mais tarde, verão o quanto estavam enganadas. Por outro lado, o amor daquela menina pelo seu senhor, foi fundamental para o desfecho dessa história. Também o coração quebrantado daquele comandante, foi imprescindível para que ele recebesse a bênção da cura, chegando àquele final feliz. Ele teve que descer do pedestal!  Davi disse: "Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." Salmos 51:17 . Desçamos dos nossos pedestais, crucifiquemos o ego e procuremos fazer a vontade do Senhor. Se nós nos mantivermos humildes, alcançaremos a vitória em Cristo Jesus. Creia nisso!

 

Enilda Falcão Lins

Enilda LinsDrª.Enilda Lins, esposa do Pr. Isaías Andrade Lins Filho há 48 anos. Mãe de 3 (três) filhos, avó de 6(seis) netos. É Bacharel em Direito, advoga, é especialista na área de Direito de Familia, sendo Membro Efetivo do Instituto Brasileiro de Direito de Familia - IBDFAM.

Exercendo a advocacia há mais de trinta anos, a dra. Enilda Lins já exerceu diversas atividades no Serviço Público Municipal e também no Serviço Público Federal. Escritora de diversos artigos publicados em revistas e sites de cunho evangélico.


Autor deste Artigo: Enilda Falcão Lins

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