Escrito por Enilda Falcão Lins    Qui, 27 de Fevereiro de 2014 00:00
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Uma falsa concepção da vida
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Lucas 12 .13-21.

“E continuou dizendo a todos: - Prestem atenção! Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas.” Lucas 12-15 .

O texto da meditação de hoje tem início com a briga de dois irmãos por causa de uma herança. Um deles se levantou no meio da multidão, e se dirigiu a Jesus, para que Ele fizesse com que o irmão dividisse com ele a herança deixada pelo pai. Tratava-se, portanto, de um direito sucessório, ou seja, com o falecimento do genitor, os filhos herdariam os bens deixados pelo "de cujus". Pelo texto depreende-se que um dos irmãos pretendia se apossar de toda a herança, sem se importar com o outro que também era herdeiro. Herança é um assunto que até hoje, na maioria das vezes, gera confusão, briga, disputa, questionamento e desconfiança entre os herdeiros.

Jesus logo aproveitou o ensejo para deixar um grande ensinamento para aqueles irmãos, e para a multidão ali presente. Inicialmente recusou se envolver com o problema da partilha dos bens daqueles irmãos, fazendo-os ver que a sua missão não era aquela, mas, a de transformar vidas, para que, através de suas conversões, o Espírito Santo viesse agir em seus corações, promovendo uma mudança de comportamento, de atitudes, de pensamentos, uma conversão aos verdadeiros valores do Reino. A partir da nova vida gerada, iria acontecer o desejo da partilha, de se praticar a justiça, ocorrendo uma verdadeira solidariedade, e, não existiria mais um ego entronizado.


Jesus então lançou uma advertência para aquelas pessoas que ali estavam, e, que ainda é válida para os dias de hoje: "Prestem atenção! Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas.” Lucas 12-15 . Jesus conhecia o coração daquelas pessoas ali reunidas, como conhece o nosso também e, o quanto estamos sujeitos às tentações, às fraquezas. A Bíblia é maravilhosa! Ela é sempre atual. Vivemos em um mundo materialista que defende a bandeira da felicidade através da aquisição de bens, isto é, quanto mais bens uma pessoa adquire, mais feliz esta pessoa será... É lamentável observar essa filosofia de vida, sendo pregada pelos defensores do "Evangelho da Prosperidade", que conduz a uma falsa concepção da vida!

Muitas pessoas estão, portanto, preocupadas em adquirir coisas, bens, nunca se contentando com nada. Tudo o que querem é comprar, comprar, e comprar... Agem muitas vezes por mera compulsão. A compulsão é algo incontrolável, e, mesmo que a pessoa tenha consciência de seus atos, não consegue controlar-se. Quem tem compulsão em compras, pode até não ter dinheiro suficiente, mas adquire de qualquer jeito, o objeto de seus desejos doentios, e na maioria das vezes, nem utiliza o que comprou, largando o bem adquirido no fundo de uma gaveta, ou de um armário qualquer. Trata-se, no caso, de um distúrbio psicológico.

Outros possuem muitos bens, são muito ricos, mas, são muito avarentos, não repartem nada com ninguém. No ano de 1984 passou uma novela na televisão, "Amor com Amor se Paga", em que o protagonista era um homem muito avarento, chamado  Nonô Corrêa, interpretado por Ary Fontoura, personagem inspirado em O Avarento, de Molière. Pão duro ao extremo, Nonô colocava cadeados na geladeira e nos armários da despensa para evitar que os filhos, Elisa e Tomaz, comessem mais do que ele considerava necessário. Além disso, Nonô proibia os jovens de repetirem as refeições, desligava a luz da casa a partir de determinada hora da noite e andava com roupas bem velhas. Sua maior preocupação na vida era não gastar e acumular fortuna. Nonô era muito rico e escondia de todos a sua preciosa fortuna. Talvez você conheça alguém assim!..

Jesus aproveitou o momento para narrar uma parábola sobre "Um Rico Sem Juízo". Através desta parábola o Mestre ensinou que acumular coisas não é o mais importante na nossa vida. Adquirir coisas não nos deixa mais próximos de Deus, não nos faz uma pessoa melhor, não nos transforma em pessoa de caráter, ou mais importante. Muitos querem viver de aparência, achando que ter uma linda casa, com um carro importado e do ano, na garagem, e usar roupas de grifes, vão lhe transformar em uma pessoa de projeção na sociedade. As pessoas muitas vezes se guiam pela aparência. O que importa para elas é ostentar riquezas, ter uma vida luxuosa, achando-se poderosas por serem possuidoras de muitos bens. O homem rico da parábola narrada por Jesus achava que poderia levar uma vida fácil, porque tinha todas as coisas que queria ou que poderia necessitar.

Coitado daquele homem! Ele possuía uma falsa concepção da vida. Jesus chamou-o de tolo, pois, ele iria morrer naquela noite, e os bens que adquiriu não poderiam fazer nada por ele. Vejamos como aquele homem se comportou diante dos seus bens: "... ele começou a pensar: Eu não tenho lugar para guardar toda esta colheita. O que é que vou fazer? Ah! Já sei! - disse para si mesmo. - Vou derrubar os meus depósitos de cereais e construir outros maiores ainda. neles guardarei todas as minhas colheitas junto com tudo o que tenho. Então direi a mim mesmo: Homem feliz! Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse, coma, beba e alegre-se." Lucas 12 .17-19. Vejamos a seguir, o que Deus disse àquele homem: "Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?" Lucas 12 20. Observemos a preocupação daquele homem em acumular riquezas para uso próprio. Em momento algum, aquele homempensou em poder ajudar a algum necessitado, porque pobre, nunca faltou em nosso Planeta Terra... Ele era, sim,um grande avarento!

É importante salientar que o Evangelho não é contra alguém possuir uma vida decente, e ser rico, mas, o que ele orienta é que não se deve colocar o coração na riqueza, nem ter segurança nelas, e, nem viver acumulando-as, esquecendo as necessidades de nossos irmãos. Vejamos o que nos diz 1 Timóteo 6:9-10: "Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." O perigo está no "amor ao dinheiro". E muitos estão sucumbindo a esse amor...

Onde será que estamos investindo a maior parte do nosso tempo? Será que estamos nos preocupando além da conta em ajuntar bens? Ou será que estamos pensando noSenhor, e em como podemos conhecê-lo melhor, e amá-lo mais profundamente? Em 1 Timóteo 6:6-8, temos um excelente ensinamento. Senão, vejamos: "Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes". Se Deus tem nos agraciado com uma vida próspera, tenhamos certeza que Seu objetivo é o de que possamos usufruir dela, e para que sejamos abençoadores de vidas. Em 1 Timóteo 6:17-19, a Bíblia nos exorta dizendo: "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna." Ora, o fim daquele homem rico foi deplorável, haja vista que ele só pensou em si mesmo. Era um homem muito avarento. Jesus então concluiu a parábola dizendo: "Isso é o que acontece com aqueles que juntam riquezas para si mesmos, mas para Deus não são ricos." Lucas 12 .21.

Segundo os ensinamentos de Jesus, é tolice gastar o nosso tempo acumulando objetos que no fim só irão enferrujar e apodrecer. Outra coisa a considerar é que Deus não nos dá todas as coisas que queremos, mas, aquelas que realmente necessitamos. Pessoas que geralmente conseguem o que quer, e que têm condições de adquirir coisas caras, e saem comprando sem necessidade, são pessoas imaturas, sem autocontrole, pessoas muitas vezes compulsivas, que devem ser tratadas e, que precisam aprender o que realmente é de valor e o que não é. Precisam desenvolver um coração altruísta, humilde, que seja voltado para o seu próximo, para o carente, o necessitado. Precisam aprender a se sacrificar pelo bem de outras pessoas, de si mesma, ou do Reino de Deus.

Finalmente, concluímos dizendo que: aqueles que não põem sua confiança nos bens materiais, mas que, conscientes de sua fragilidade, confiam em Deus para fazer de sua jornada por este mundo um tempo de serviço, partilha, e cuidado pela vida humana, é que são felizes.

Reflexão:Eis um texto precioso para que possamos refletir: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." Mateus 6:19-21 . E ainda, para completar: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Mateus 6:33 . Vamos lançar nossos olhares ao redor, e com certeza encontraremos a quem podemos ajudar, não esquecendo os nossos missionários que muitas vezes passam tantas necessidades... "Estejam prontos para servir, e conservem acesas as suas candeias, como aqueles que esperam seu senhor voltar de um banquete de casamento; para que, quando ele chegar e bater, possam abrir-lhe a porta imediatamente. Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los." Lucas 1 2:35-37. Amém!

 

Enilda Falcão Lins

Enilda LinsDrª.Enilda Lins, esposa do Pr. Isaías Andrade Lins Filho há 48 anos. Mãe de 3 (três) filhos, avó de 6(seis) netos. É Bacharel em Direito, advoga, é especialista na área de Direito de Familia, sendo Membro Efetivo do Instituto Brasileiro de Direito de Familia - IBDFAM.

Exercendo a advocacia há mais de trinta anos, a dra. Enilda Lins já exerceu diversas atividades no Serviço Público Municipal e também no Serviço Público Federal. Escritora de diversos artigos publicados em revistas e sites de cunho evangélico.


Autor deste Artigo: Enilda Falcão Lins

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