Escrito por Enilda Falcão Lins    Qua, 30 de Outubro de 2013 18:57
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Aprendendo o Contentamento
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Filipenses 4 .11

"... aprendi a viver contente em toda e qualquer situação." Filipenses 4 .11.

Quando eu era adolescente assistí a um filme chamado Pollyanna, e também tive a oportunidade de ler o livro, um romance clássico escrito por Eleanor H. Porter. O livro narra a história de uma menina chamada Pollyanna, que muito cedo perdeu seus pais e irmãos, e foi viver em um orfanato. A garota passou por muitas dificuldades na vida com a ausência deles. Ocorre que, antes do seu pai falecer, ele ensinou a Pollyanna um interessante jogo, que chamava de "o jogo do contente". Este jogo se resumia em a pessoa descobrir a alegria seja lá no que fosse até mesmo quando acontecessem fatos tristes. Sendo assim, de acordo com este jogo, as pessoas tinham que encontrar o motivo de buscar alegria em tudo.

 



Hoje nós vamos meditar a respeito de como podemos aprender o contentamento, a despeito das circunstâncias que estivermos vivendo. Este aprendizado não é um "jogo do contente", mas, trata-se de uma capacidade ou, uma dimensão espiritual que alcançamos, quando nossos propósitos estão firmados no andar com Deus, e no conhecê-Lo, a ponto de experimentar o Seu Poder na nossa vida.

Na Bíblia com a versão NTLH (Nova Tradução da Linguagem de Hoje) lemos Filipenses 4 .11, da seguinte forma: "... aprendi a estar satisfeito com o que tenho.". O contentamento é um estágio meio difícil de ser atingido, e para que isto aconteça é necessário que passemos por um verdadeiro aprendizado. O próprio apóstolo Paulo teve que passar por essa experiência. Antes da sua conversão ao cristianismo ele se chamava Saulo. Foi criado com zelo pelos seus pais, que o conduziram à escola da sinagoga cedo, como era costume da época, haja vista que "o menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos de idade e, aos dez, estaria estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei".   Paulo era um homem culto, fazia parte de um dos principais partidos dos judeus, o partido dos fariseus, que no primeiro século, se tornou a “aristocracia espiritual” de seu povo. Saulo de Tarso era fariseu, “filho de fariseus” conforme lemos em Atos 23 .6. Ele passou em Jerusalém sua juventude “aos pés de Gamaliel”, onde foi instruído “segundo a exatidão da lei. . .", conforme vemos em At 22:3. O seu padrão de vida, certamente, foi bastante diferente daquele que passou a ter depois de convertido.

Após a sua conversão, Saulo, que passou a chamar-se Paulo, enfrentou muitos momentos difíceis. A vida dele já não era a mesma de antes. De perseguidor dos cristãos, ele passou a ser perseguido. Foi jogado na cadeia, foi surrado, apedrejado, roubado, passou por naufrágios, fome, e, algumas vezes ele não tinha nem roupa suficiente para se aquecer. Ocorre que todas essas experiências pelas quais passou, foram usadas por Deus para forjar o seu caráter, haja vista que o contentamento não fazia parte dele.

Vejamos o que Paulo disse: "Não estou dizendo isso por me sentir abandonado, pois aprendi a estar satisfeito com o que tenho. Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação." Filipenses 4 . 11-13. A tendência nossa é de reclamar da vida, resmungar, murmurar e sentir-se infeliz, quando passamos por situações difíceis. A proposta do texto em meditação não é que nos comportemos como Pollyanna. Ele nos conduz a termos uma conscientização de que Deus está cuidando de nós, seja qual for a situação que estejamos passando e, que cada momento de dificuldade é uma oportunidade para aprendermos a viver contentes, independentemente de qual seja a situação. Aprendermos a viver acima das circunstâncias.

Quando Paulo escreveu a Carta aos Filipenses, ele estava no cárcere. Esta Carta é conhecida também como "A Carta da Alegria". Ele aproveitou a oportunidade quando estave ali na cadeia, para transmitir aos irmãos as suas experiências ao enfrentar momentos difíceis, de sofrimentos, e como através deles aprendeu a viver contente com o que possuía, ou seja, a viver contente em qualquer situação. Paulo tinha tudo para ser uma pessoa impaciente, infeliz, triste, deprimida, mas, escolheu ir por outro caminho, o de aprender o contentamento. Através de cada experiência, ele sentia, de forma contundente, a presença de Jesus na sua vida, lhe dando forças para suportar e superar as dificuldades.

Não foi de uma hora para outra que Paulo aprendeu o contantamento. Como foi que ele aprendeu isto? Foi através de um passo de cada vez, até sentir-se satisfeito em ambientes desconfortáveis e desagradáveis. Em Filipense 4.12, podemos verificar que ele também aprendeu aceitar o que lhe acontecesse. Prosseguindo na leitura do texto, veremos que ele também aprendeu a receber com gratidão qualquer ajuda que seus amigos cristãos pudessem lhe oferecer. E o mais importante de tudo foi o fato de Paulo ter reconhecido que Deus estava suprindo a todas suas necessidades, senão, vejamos o que ele disse: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.". Filipenses 4:19 .

Nós temos a inclinação para murmurar, ficar abatido, desolado, desanimado, depressivo, quando estamos passando por sofrimentos, por dificuldades. Quando nos chega uma crise financeira, por exemplo, logo ficamos abatidos e prevemos o pior para nossa vida e da família. Dessa forma, nos esquecemos do nosso Pai amoroso que se preocupa em cuidar até dos passarinhos, quanto mais dos seus filhos, conforme lemos em Mateus 6 .26, que diz: “Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos?”. Com certeza muitos de nós estamos precisando aprender o contentamento, bem como de nos conscientizar assim como Paulo, de que o Senhor nos dá a força para suportarmos esses momentos e superá-los, conforme está escrito em Filipenses 4 . 13, quando Paulo disse: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece."

Não importa a situação que estejamos vivendo, seja a mais sofrida, a mais dolorida que for, mas, o que importa é que nós tenhamos a mesma certeza que Paulo possuía, pois, ele se sentia forte porque Jesus vivia dentro dele, e, o mesmo Jesus também vive em nós. Sendo assim, da mesma forma que Paulo, podemos enfrentar tudo, mesmo a situação mais terrível, com o coração cheio de contentamento.

Max Lucado disse que "estar contente é um estado da alma em que você está em paz com Deus, ainda que Ele não lhe dê nada além do que já deu." Existem pessoas que tem a mania de ficar comparando a sua vida com a dos outros, e a indagar por que fulano tem tudo de bom, não fica doente, só vive sorrindo, parece que tudo dá certo para ele, enquanto que eles têm que passar por tantas necessidades financeiras, enfermidades e tantos sofrimentos... Querem, de qualquer forma, que Deus atenda seus pedidos do jeito deles. Imploram para Ele salvar a vida do filho, para que Ele mantenha seus negócios funcionando bem e dando lucro, que sejam curados de enfermidades graves, e tantas outras coisas, e, só vivem angustiados, aflitos, tristes e sem paz. E se Deus responder da mesma forma que fez com Paulo? Paulo estava passando por um problema sério, rogou cerca de três vezes a Deus para que ficasse livre daquele "espinho na carne". Em II Coríntios 12. 8-10, lemos o seguinte:"... acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.". Mais uma lição e aprendizado que Paulo teve sobre o contentamento.

Será que iríamos ficar satisfeitos com esta resposta? Será que Deus não está sendo justo se não atender ao nosso clamor? Se Ele não cura nosso filho, por exemplo, será que não está sendo bondoso? "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza...", diz o Senhor para nós hoje. Mesmo que tenhamos de continuar padecendo necessidades ou, sofrimentos, o nosso Deus é digno de todo nosso louvor, de toda nossa gratidão, de toda nossa adoração. O maior milagre que Ele operou em nossa vida foi nos libertar das garras de Satanás, salvando nossa alma através de Jesus Cristo, o Seu Filho.

Em um dos seus livros, Max Lucado contou que um dia a sua filha mais velha caiu em uma piscina, quando tinha dois anos de idade. Um amigo dele que estava perto, viu quando a criança caiu e, imediatamente puxou-a da água. No outro dia pela manhã, no seu momento devocional, Max Lucado agradeceu muito a Deus, dizendo o quanto Ele era maravilhoso por ter salvado a filha dele. Imediatamente veio à sua mente uma pergunta, como se Deus estivesse falando: "Eu seria menos maravilhoso se tivesse permitido que ela se afogasse? Eu seria um Deus menos bom por tê-la chamado de volta para casa? Eu ainda estaria recebendo o seu louvor esta manhã se não a tivesse salvado?" Então ele concluiu indagando: “Deus ainda é um Deus bom quando diz não?"

Reflexão: Que tal a partir de hoje nós tomarmos uma nova posição diante dos sofrimentos, das necessidades, das nossas carências? Vamos aproveitar como Paulo, cada oportunidade para aprendermos o contentamento? Façamos uma lista, mesmo que mental, de quantas bênçãos Deus já derramou sobre nós. Usemos essa lista como um lembrete de que assim como Deus nos abençoou no passado, Ele pode também prover as nossas necessidades futuras. Em vez de ficarmos reclamando, ou de vivermos preocupados, tristes e abatidos, vamos colocar diante d'Ele os nossos pedidos e, aproveitar esses momentos para aprender o contentamento. Alguém disse que: "Contentamento não é possuir tudo, mas dar graças por tudo que se possui". Amém?

 

 

Enilda Falcão Lins

Enilda LinsDrª.Enilda Lins, esposa do Pr. Isaías Andrade Lins Filho há 48 anos. Mãe de 3 (três) filhos, avó de 6(seis) netos. É Bacharel em Direito, advoga, é especialista na área de Direito de Familia, sendo Membro Efetivo do Instituto Brasileiro de Direito de Familia - IBDFAM.

Exercendo a advocacia há mais de trinta anos, a dra. Enilda Lins já exerceu diversas atividades no Serviço Público Municipal e também no Serviço Público Federal. Escritora de diversos artigos publicados em revistas e sites de cunho evangélico.


Autor deste Artigo: Enilda Falcão Lins

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